VIRTUDES CARDEAIS E VIRTUDES TEOLOGAIS
Desde a Antiguidade até os nossos dias, as virtudes foram classificadas em Cardeais e Teologais. As Cardeais são adquiridas pelo esforço; as Teologais como um Dom de Deus.
1. VIRTUDES CARDEAIS
As virtudes cardeais são aquelas virtudes essenciais na qual todas as outras decorrem. São em número de quatro: prudência, fortaleza, temperança e justiça. Funciona como uma dobradiça, pois todas as outras devem girar ao redor destas. Isto decorre da etimologia da palavra cardeal (cardo = gonzo = dobradiça).
Prudência - É aquela virtude que permite ao entendimento reflexionar sobre os meios conducentes a um fim racional.
Fortaleza ou valentia - Consiste na disposição para, em conformidade com a razão, isto é, em atenção a bens mais elevados, arrostar perigos, suportar males e não retroceder, nem mesmo ante a morte. A paciência, por exemplo, é uma virtude subordinada à fortaleza, e consiste na capacidade constante de suportar adversidades.
Temperança - Consiste em aperfeiçoar constantemente a potência sensitiva, de modo a conter o prazer sensual dentro dos limites estabelecidos pela sã razão. Assim, a moderação é a temperança no comer, a sobriedade no beber, a castidade no prazer sexual. São aparentados com a temperança: a negação ou domínio de si mesmo, isto é, a vontade de não se deixar desviar do bem, nem sequer pelas mais violentas excitações do desejo.
Justiça - Consiste ela na atribuição, na equidade, no considerar e respeitar o direito e valor que são devidos a alguém, ou a alguma coisa. (Santos, 1965)
2. VIRTUDES TEOLOGAIS
Na Ética religiosa a Fé, a Esperança e a Caridade são chamadas teologais, porque não são elas produtos de um hábito, pois o homem não as adquire através de seu próprio esforço.
A Fé é o assentimento do intelecto que crê, com constância e certeza, em alguma coisa. A prudência, a fortaleza, a justiça e a moderação podem ser adquiridas. Ninguém gesta dentro de si a Fé; ou a tem, ou não.
A Esperança é a expectação de algo de superior e perfeito. A Esperança não é o produto de nossa vontade, mas de uma espontaneidade, cujas raízes nos escapam, porque não é ela genuinamente uma manifestação do homem, mas algo que se manifesta pelo homem, porque não encontramos na estrutura de nossa vida biológica, nem da nossa vida intelectual, uma razão que a explique.
A Caridade é a mãe de todas as virtudes como dizem os antigos, e diziam-no com razão: é a raiz de todas as virtudes, porque ela é a bondade suprema para consigo mesmo, para com os outros, para com o Ser Infinito. A caridade, assim, supera a nossa natureza, porque, graças a ela, o homem avança além de si mesmo, além das suas exigências biológicas.
Não são o produto de uma prática, porque pode o homem praticar a caridade sem tê-la no coração; pode o homem exibir uma crença firme, sem alentá-la em seu âmago; pode o homem tentar revelar aos outros que é animado pela esperança, sem ressoar ela em sua consciência. (Santos, 1965)
Vícios capitais
Logo no início do estudo sobre as virtudes, vimos que podemos adquirir na nossa alma uma força habitual, enraizada e má, chamada vício. Esses vícios empurram a alma a praticar atos contrários às virtudes, ou seja, atos pecaminosos, pelos quais ofendemos gravemente a Deus nosso Senhor.
No estudo de cada virtude em particular vimos também os vícios contrários às virtudes, ou seja, os pecados que cometemos contrariando as virtudes.
Os vícios ou pecados capitais são sete:
Soberba
Avareza
Luxúria
Inveja
Gula
Ira
Preguiça
Avareza
Luxúria
Inveja
Gula
Ira
Preguiça
A Soberba
A Soberba também é chamada de orgulho e consiste numa estima excessiva de si mesmo.
· não agradece a Deus as qualidades que possui e fica procurando elogios.
· acha que possui qualidades que na verdade não possui.
· procura sempre rebaixar as qualidades dos outros.
A Soberba produz ainda:
- · ambição - desejos imoderados de possuir bens e glória.
- · presunção - confiança exagerada em si mesmo.
- · vã glória - procura de elogios e admiração.
- · hipocrisia - atos que mascaram a maldade do coração
- · obstinação - não aceitar os conselhos e insistir sempre no mal.
- · desprezo - olhar os outros como inferiores.
A Avareza
Se a soberba consiste numa estima excessiva de si mesmo, a Avareza é a estima excessiva das riquezas e dos bens materiais. A alma dá tanta importância ao dinheiro que passa a viver só em torno disso, esquecendo-se de Deus e do próximo. O avaro está tão apegado às coisas que possui que prefere morrer do que perde-las. Só pensa em comprar, em ter, em mostrar aos outros tudo o que possui.
A avareza produz:
- · injustiça para com o próximo: roubos, trapaças etc.
- · traição: como Judas, que vendeu Jesus por trinta moedas.
- · dureza do coração diante da pobreza: nunca dá esmolas nem quer ajudar os pobre
- · preocupações constantes: medo de perder tudo.
- · esquecimento de Deus e da salvação eterna
A Luxúria
Deus ordenou aos homens que se multiplicassem sobre a terra. Para isso, Ele instituiu a família, união de um homem e de uma mulher, que se unirão pelo ato conjugal para terem os filhos que Deus quer que eles tenham. Foi para proteger a instituição familiar que esse ato e tudo o que se relaciona com ele, ficou reservado ao matrimônio.
A luxúria é o vício que leva os homens a realizarem o ato sexual fora do casamento ou contrariando as normas naturais estabelecidas por Deus para ele. Esse vício provoca pecados contra o sexto e o nono mandamentos: atos, pensamentos, desejos, más companhias, filmes, revistas, e o adultério, que é a traição do juramento matrimonial.
A luxúria provoca também:
- · cegueira espiritual: a alma fica desnorteada e a vergonha a leva a fugir de Deus.
- · precipitação: nervosismo nas coisas do dia a dia, perda da concentração nos estudos.
- · inconstância: um dia bem, outro dia má, a alma balança ao sabor das paixões.
- · amor próprio: amor desordenado das coisas do corpo
- · imodéstia e despudor: roupas e as atitudes do corpo indecentes e provocadoras.
A Inveja
A inveja é um vício pelo qual nós olhamos tudo que há de bem no nosso próximo como sendo mau, porque diminui nossa grandeza e nossa glória. Ou seja, não gostamos de ver alguém ser elogiado e nós não, não suportamos que tal pessoa tenha um objeto que nós não temos. No fundo, queremos ser sempre os mais notados e festejados. Vemos assim que a inveja nasce da soberba, que é aquela cegueira sobre nós mesmos. Pela inveja procuramos sempre atrapalhar o outro e nos alegramos quando o vemos atribulado.
A inveja provoca:
- · ódio - foi o ódio nascido da inveja que levou Caim a matar Abel
- · murmúrio - a alma passa seu tempo a pensar mal dos outros.
- · detração - ela já não pensa só contra seu próximo, mas tenta quebrar a reputação do outro.
A Gula
A gula é um apetite desordenado pela comida ou pela bebida. Esta desordem pode existir na alma de cinco modos.
- · procurando desordenadamente comidas caras e diferentes (tipo)
- · comendo em excesso (quantidade)
- · demasiada atenção na preparação (qualidade)
- · comendo ou bebendo de modo voraz e sem educação (modo)
- · se preocupando demais com a hora da comida (precipitação)
A Ira
A ira é um estado de descontrole da paixão ou um desejo imoderado de vingança. O descontrole da paixão é a raiva, que chega a modificar nosso semblante; a vingança imoderada consiste em vingar-se quando não nos cabe vingar ou vingar-se de alguém que não nos fez nada que merecesse vingança.
A ira provoca ainda:
- · indignação - é nossa irritação contra alguém que achamos injustamente que está irritado conosco
- · maus pensamentos e juízos temerários
- · gritos e agitação
- · blasfêmias
- · acusações injustas
- · rixas e brigas
A preguiça
Este vício pode ser considerado de dois modos:
a) em geral: é a inclinação a procurar o repouso e o conforto do corpo: chama-se preguiça
b) em particular: é o tédio pelas coisas espirituais, pela oração e por tudo que nos aproxima de Deus : chama-se tibieza
- desespero da salvação
- · pusilanimidade - é a atitude medrosa, fraca, envergonhada, diante das coisas de Deus e da Igreja, tanto no nosso coração quanto nas manifestações exteriores da nossa Fé.
- · fraqueza no cumprimento dos Mandamentos
- · rancor e raiva contra os que nos chamam a atenção para que voltemos a rezar.
- · ódio das coisas espirituais que impedem a alma de se soltar no pecado
- · atenção voltada para as coisas ilícitas, interesse por elas, desejo de as praticar.
nossa muito bom gente essa postagem
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